Juliana Vilas

Juliana Vilas, 29, codinome "Pássara", é jornalista. Mas gosta mesmo é de "medir ruas" e ouvir histórias de gente de todos os tipos. Paulistana da zona norte, morou um ano e meio no Rio de Janeiro e, apesar da agradável maresia, sofria de saudade do doce ar da paulicéia. Jamais se recusa a conhecer lugares novos e/ou inusitados, seja para comer, dançar, transar ou fazer qualquer coisa. Como pega amizade fácil em elevadores, metrôs, trens e até no ponto de ônibus, é uma espécie de garimpeira urbana das histórias cotidianas da metrópole.



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  • 19 de Novembro de 2008

    Hare Hare plugado no mundo

    Todo (ou quase) morador da capital sabe identificar os representantes do movimento Hare Krishna que estão sempre espalhados pelas ruas, pregando e pedindo colaborações. Usam roupas largas e claras, às vezes esvoaçantes, carecas e de rabo de cavalo, livrinhos nas mãos, abordagem delicada. São os chamados vaishnavas, que consideram Sri Caitanya Mahaprabhu uma encarnação do Senhor Krishna. Nos últimos anos, no entanto, os sempre afáveis e insistentes Hare Krishnas ou vaishnavas se globalizaram, se modernizaram… E continuam pregando pelas ruas, claro. E já falam em Deus, em vez de usar nomes hindus complicados que poucos entendem.

    Shadu nasceu em Lima, no Peru, com outro nome (que hoje consta só do seu registro de nascimento, já que agora só usa o nome hindu). Adotou São Paulo e, aos 36 anos, mora num templo e leva, diariamente, a filosofia para as ruas da cidade. Para quem se interessa pela conversa, Shadu (que não é totalmente careca, embora tenha o rabinho, porque diz sentir muito frio), avisa logo que tem perfil no Orkut, dá o numero do seu celular e a home page do templo em que mora, em Pindamonhangava (a 160 km da capital), a fazenda Nova Gokula, que tem também pousada para quem quer passar um fim de semana em paz espiritual, na busca da consciência, do eu interior.

    Vaishnava, tradição monoteísta com milhões de seguidores na Ãndia e no Ocidente, é o tronco principal do “complexo filosófico†chamado hinduísmo. Os seguidores não comem carne de nenhum tipo e distribuem alimentos lacto-vegetariano às populações menos favorecidas. É o Comida para a Vida… Shadu avisa que a tecnologia não pode ser ignorada, deve ser usada a favor do homem, como instrumento da evolução espiritual. Mas jamais para escravizar o ser humano. Hare Krishna / Hare Krishna / Krishna / Krishna / Hare Hare / Hare Hama / Hare Hama / Harama / Hare Hare / Hare Hamaaaa….



    18 de Novembro de 2008

    Onde Sampa é mais Paris

    Há vários lugares em que é fácil ver a São Paulo desenvolvida, como se inserida no chamado primeiro mundo. Um deles é a Livraria Cultura do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista. Ali, a Paulicéia chega ao ponto máximo do charme cosmopolita letrado. No café, pessoas de todos os tipos e tribos parecem figurantes de um filme francês. E fazem fila para prestigiar o autor de um novo lançamento. Aliás, a livraria Cultura - todas as noites - e o Itaú Cultural – às segundas – são excelentes locais paera quem tem tempo livre e procura uma boa boca-livre. Além de saborear uma agradável leitura – é só fingir que vai comprar e está escolhendo, claro – qualquer um pode bebericar vinho, prosecco e uísque (hoje, no lançamento de um livro de Direito, tinha) e saborear alguns petiscos de modo despretensioso. Basta fazer um ar blasé e fingir interesse pela nova obra, folheando, entrando e saindo da fila de autógrafos…

    Na noite de lançamento de um livro sobre Direito do Trabalho, o café lotou de engravatados, meninas com cara de estagiárias de Direito, mulheres com jeitão de funcionárias públicas de fórum e senhores com pinta de juízes e desembargadores. Uma senhora tenta puxar conversa com a blogueira. E logo informa que, ali, bem à nossa direita, todo compenetrado, está o juiz taltaltal (com jeito empolado, como se ele fosse bem importante – e deve ser).

    E nos demais espaços da grande loja cultural, jovens, crianças e descolados lêem, sentados nos pufs, como se não houvesse amanhã. Ou como se a cidade nem fosse tão apressada quanto dizem por aí. É que São Paulo, às vezes, tem cara de Paris.

    …Outras vezes de Tókio, Dubai, Bagladesh, Miami…



    17 de Novembro de 2008

    Raiou, resplandesceu, iluminou…

    Sim, além de pessoas depressivas, São Paulo está infestado de edifícios doentes. São, basicamente, prédios que não recebem luz natural. Ou recebem muito pouca.

    Um estudo da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da (FAU) “aponta que 30% a 40% da energia elétrica consumida pelos edifícios comerciais da cidade são para geração de luz artificial, enquanto nas capitais da Europa não ultrapassam 14%â€. Enquanto o “iluminado†céu de Londres emite 7.000 lux, o céu nublado – NUBLADO, como hoje - de São Paulo emite mais de 14.000 lux, sendo que os paulistanos consomem (pagam) mais que o dobro de energia elétrica que os londrinos.

    Ou seja: ao “curar†um edifício doente, você ainda pode economizar na sua conta de luz. Um dos tratamentos mais acessíveis é distribuir janelas por todos os lados da casa e do escritório. “Forros côncavos e dutos de luzâ€, segundo o pessoal da FAU, são algumas soluções. E as clarabóias. Que belo nome tem algo tão específico. CLA-RA-BÓ-IA. Aqueles buracos no teto e nas paredes que, em geral, têm vidro e estão em locais sem janela. Sim, e o tipo de janelas também é muito importante. Aquelas em que metade está sempre fechada (de correr, em geral de alumínio ou algo assim) são péssimas para um prédio adoentado. Pééééssimas.

    Outra boa opção, embora mais cara, é instalar placas de energia solar, que acumulam a energia nos dias de sol e depois a transforma em energia elétrica. Há alguns anos, na época do apagão, fiz uma boa pesquisa na cidade e descobri que são mais baratas e fáceis de encontrar do que se pode imaginar. Logo Urblog traz uma cotação bacana – e atual - na linha: “Urblog por uma cidade sustentávelâ€. Por enquanto, São Paulo tem uma “insustentável leveza†metropolitana.

    A seguir, clarabóias em locais de trabalho… Os locais de trabalho típicos são mesmo bem doentes. E as pessoas ficam meio verdes depois de um tempo por conta da superexposição àquela luz branca (econômica e feia). Lâmpadas fluorescentes. Esse trecho é homenagem à paulistaníssima Caroline Minem, que faz campanha contra a luz branca – que deixa as pessoas verdes - nos ambientes de trabalho e descanso. É isso aí, Minem, a luta continua!

    Quer saber mais sobre arquitetura sustentável? Entra aqui

    PS: Para este post, pensei no título “Quando o sol baaaater…†inspirado naquela música… Mas, acho que Urblog anda se inspirando demais em musiquinhas das décadas de 80 e 90, né? A leitora Simone Bortolotto gosta. Porque, diz, aprende a cantar a letra certa, que sempre imaginou ser outra. Depois desse comentário dela, a blogueira ficou em dúvida se os trechos de música que viraram títulos aqui são reais ou inventados. Sabem como? A gente ouve a música, nunca leu a letra e acha que o cantor está dizendo uma coisa mas é outra parecida?
    Ai, mas não vai dar. Tem outra do Beto Guedes… Sobre janelas… Ai, e outra que a Clçara Nunes Cantava. Clara Nunes, Clarabóia. Foi. Título de música de novo. Juro que vai ser o único da semana. Prometo.


    Sucesso. Troque paredes e quadros (de gosto duvidoso) por janelas, janelas. Muitas:


    O tetão estava lá, sem fazer nada, fechado, triste, doente, enfadado… Olha que beleza ficou! Isso sim é vida saudável para tetos e edifícios em geral



    14 de Novembro de 2008

    Filo porque quilo

    O Garfolândia que perdoe o Urblog, mas é impossível explorar Sampa sem falar de comida.

    Gisele Brito almoça fora de casa todos os dias, como boa parte dos paulistanos, que estuda e/ou trabalha longe do bairro em que mora. Tornou-se, ao longo dos anos, uma especialista em restaurantes por quilo. Dotada de bom faro jornalístico, Gi criou um ranking dos quilos da Paulicéia. Ranking, quem sabe, não seja o melhor termo. Mas a experiência prática a transformou em crítica gastronômica especializada em refeições por quilo, que não ultrapassam R$ 20. “Mas também já fiquei bem satisfeita com um prato que custou R$ 3,50â€, avisa.

    Gisele promete levar o Urblog aos melhores e piores da sua lista. O quilo da estréia, no entanto, é o retrato do Brasil. E de São Paulo, claro. Um restaurante, dois cardápios, dois preços. Mas sem salões separados para ricos e pobres – ufa! À esquerda, o corredor de pratos disponíveis para quem escolhe a opção mais em conta. À direita da cordinha, um buffet mais “completoâ€, digamos. É o abismo social na hora do almoço da metrópole.

    Quem tiver sugestões de restaurantes por quilo que chamem a atenção por algum motivo, envie para julianavilas@gmail.com ou urblogepocasp@gmail.com

    A fachada

    A fila da esquerda

    A fila da direita



    13 de Novembro de 2008

    Sono pesado e fidelidade canina

    No centro de São Paulo, dorme sujo que se preze dorme cochila à luz do dia. A seguir, confira um despretensioso ensaio fotográfico só com “indivíduos em situação de rua†na região central. Todos deitados, de olhos bem fechados – vai saber se estão dormindo mesmo? Esta idéia é uma homenagem a Joe Gould, o mendigo mais famoso de NY, preferido do repórter americano Joseph Mitchell. Joe era formado em Harvard. Creio que os nossos não sejam. Ou são. Como estão descansando os olhos, não podemos saber.

    Na Rua Conselheiro Crispiniano, um grupo repousava enfileirado na porta de uma loja fechada qualquer. Ao lado, a cadela amiga – porque dorme sujo que preze sempre tem um cão amigo para protegê-lo – alimentava as crias [5 filhotes]. Cena peculiar, por volta das 11h00 da manhã. Afinal, alguém tem que comer nesse grupo. De preferência, os recém-nascidos. O melhor: observar a reação dos transeuntes diante da miséria humana. Ou canina. “Mas cachorro é o mais fiel mesmo, né? Olha só issoâ€, comenta uma senhora. “Não sei de quem sinto mais dó, se dos cachorros ou dos homensâ€, completa ela.



    São Paulo é uma cidade que não permite o azar. Ou, os jogos de azar. Pelo menos, em tese. As casas de bingos, fechadas no Brasil desde 2002, só podem funcionar na clandestinidade. Bingo, inclusive, já virou até tema de CPI. Jogar causa dependência. Tudo bem, né? Cigarro, cachaça, sexo e compras também… Um prédio enorme de fachada azul, um dia foi uma loja de calçados chamada CID (há uns 20 anos), depois virou um belo bingão (Bingo Cruzeiro do Sul). E do jeito que fecharam ficou. Com jeito de prédio desativado. Ahã, imagina, estava ativíssimo. A casa de bingos gigante funcionava normalmente - com portas fechadas e entradinha secreta na lateral. Até hoje, quando o pessoal da prefeitura foi lá e lacrou tudo, mandou prender e soldou as portas de ferro.

    No entorno do prédio, do lado de fora, como sempre, as barracas e vendedores de milho, churrasquinho de gato, dogão e afins, além dos dorme-sujos locais funcionavam a todo o vapor. E no meio do caos, sob uma plaquinha de sulfite onde se lia: “lacradoâ€, a jogatina continuava. Livre, leve e solta, sob a garoa paulistana. Só que era caretado, com toalhinha verde de pelinhos e tudo.



    11 de Novembro de 2008

    Quem não tem mar, surfa no…ferro

    O Beco do Aprendiz, na Vila Madalena, virou um curioso pólo cultural urbano, impulsionado pelo bem-sucedido projeto (social) Aprendiz. Além das agradáveis tardes regadas a dub e reggae nos fins de semana, o beco agora virou point nas noites de segunda-feira. Mas nada de baladinha ou clima de paquera puro. O lance é treinar: malabares, equilibrismo, perna de pau (artes circenses em geral).

    Até aí, nada de mais. Circo está longe de ser algo novo. A sensação das segundas no beco, no entanto, é o surfe na corrente. Na falta de mar e ondas, os surfistas urbanos lançam mão de correntes de ferro suspensas por apoios laterais (aquelas que fecham as garagens de lojas e afins), na qual se equilibram e fazem manobras inspiradas no surfe, skate e snow board. Pena que a luz era pouquíssima para gravar com detalhes.

    O surfista Carlos, que pratica há oito anos, garante que a mania já existe há algum tempo em Sampa. Ele mesmo ensinou o povo de Salvador a surfar na corrente (se é que uma cidade litorânea precisa disso) quando morou lá durante um tempo. É uma espécie de esporte radical, que exige concentração, equilíbrio, postura e força. O segredo é ter ginga. Afinal, é preciso manter o tronco bem ereto e… Rebolar. Ou movimentar quadris e pernas de modo bem sincronizado. Senão… É tombo certo. Pelo menos, do chão ninguém passa. Carlos é experiente na arte da corrente. No beco, muitos estão começando agora. E os mais calejados ensinam os surfistas iniciantes.

    O grupo de surfistas de correntes tenta promover um campeonato firmeza, organizado, bacana mesmo. “Ninguém conhece esse esporte, mas queremos torna-lo mais profissionalâ€. Dentre os praticantes, há uns 10 bons meeeeeeeesmo. E uma legião de aprendizes. O sonho da turma é que o campeonato role ainda em dezembro. Só falta apoio e…grana, claro… para produzir o evento.

    No meio do burburinho da Vila Madalena, a festinha que rola no Beco todas as segundas parece até terapia coletiva. “Magamalabares, aquamarã, um barquiiiiiiinho…â€

    Nem a chuvinha fina de típica da Paulicéia espantou quem estava no Beco do Aprendiz, curtindo as artes circenses, o surfe na corrente, o som de qualidade…

    Sobre surfe na corrente, confira mais aqui



    07 de Novembro de 2008

    Amy Winehouse e RBD - tudo a ver!

    Bruno, de 16 anos, estava lá, no meio do grupo de fãs do RBD, acampado no canteiro da Marginal do Tietê esprando o show marcado para 29/11. Em dado momento da conversa, alguém me conta que o rapaz costuma imitar a Amy Winehouse. Antes, já haviam feito um ranking dos mais “namoradores†das barracas do acampamento. Há recordistas. Mas prefiro não comentar. Nem seria ético com os rapazes e meninas. Garantem que vivem uma fase muito feliz… Ãdolos, vida sexual, escola, perspectiva de futuro, amigos e família… Provavelmente não fazem parte das tristes estatísticas da depressão em São Paulo.
    A Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (ABRATA) fez um levantamento e concluiu que “a incidência de pessoas com sintomas de depressão na cidade de São Paulo chega a 22%â€. E o pior: as mulheres, os mais pobres (classes C e D) e os jovens são os mais depressivos. Um quatro – ou 25% - das pessoas que têm entre 18 e 29 sofrem dessa doença, que inclui, além dos sintomas psicológicos, aspectos físicos: dores difusas pelo corpo.

    Bruno e seus amigos estão longe da depressão – ao menos aparentemente. Ele imita a Amy no meio da Marginal do Tietê e o grupo “racha a o bicoâ€. Ah, os jovens…



    07 de Novembro de 2008

    Eles, elas ou tanto faz

    Tenho observado, nas portas de banheiros, os modos engraçados e pouco convencionais de identificar “feminino†e “masculinoâ€. Ou mulheres e homens. Tem cada uma… Às vezes rola até uma dúvida. “Será que estou entrando na porta certa?â€. No bar geração-saúde Pé do Parque, na esquina da avenida Hélio Pelegrino com a Rua João do Pulo (amei esse nome!), as plaquinhas são bem diferenciadas. Os restaurantes orientais, geralmente, também costumam inovar quando o assunto é ilustrar as portas para identificar banheiros. Se você vir alguma portinha que chama a atenção por ser engraçada, confusa ou nada a ver, mande para nós: urblogepocasp@gmail.com. Da série Banheiros da Paulicéia.



    04 de Novembro de 2008

    Tudo tem cheiro de gasolina…

    E já que a semana começou com o tema pechincha, mais uma dica para economizar. Dessa vez, com combustíveis. Todo mês, a empresa Ticket Car faz um levantamento dos preços de gasolina, álcool, diesel, biodiesel e GNV no Brasil todo. Em alguns Estados, compensa mais ter carro movido à álcool – é o caso de São Paulo. Em outros, é mais econômico encher o tanque de gasolina. Na capital paulista, a variação de preços de combustíveis entre uma região e outra é notável. O centro é o local mais caro para abastecer. E a zona leste é a região onde se encontram litros de gasolina, álcool ou diesel com os preços mais convidativos da cidade. Mas quem tem carro a gás ou biodiesel, deve se jogar na zona norte.

    ZONA GASOLINA ALCOOL DIESEL BIODIESEL GNV
    CENTRO 2,445 1,370 2,206 2,245 1,593
    LESTE 2,372 1,282 2,126 2,130 1,436
    NORTE 2,385 1,286 2,130 2,125 1,412
    OESTE 2,424 1,322 2,164 2,229 1,485
    SUL 2,428 1,345 2,165 2,142 1,527
    Média 2,428 1,336 2,153 2,172 1,479

    Enquanto isso, as marginais passam horas e horas intrasitáveis todos os dias. E o Salão do Automóvel está bombando de “loucos por carros” e novidades no Anhembi. Há projeto para construir ciclovias na cidade, o prefeito reeleito Gilberto Kassab pediu para o presidente Lula uma graninha para investir no Metrô… E a corrida de táxi na Paulicéia é uma das mais caras do país. Tá bom? Delícia demais? Alguém sabe quanto custa um teco-teco?