Desafios e oportunidades do comércio eletrônico

Como alternativa para o e-commerce nacional, ônibus intermunicipais auxiliam no transporte de produtos para o interior do país. 

Com o fechamento do comércio tradicional e o isolamento social, a pandemia gerou um aumento significativo da demanda por serviços online e, consequentemente, soluções logísticas. No Brasil, o e-commerce vem crescendo bastante, o setor faturou R$61,9 bilhões em 2019, resultado 16,3% maior que em 2018. Além disso, segundo a Ebit (Earnings Before Interest and Taxes), houve um aumento de 32% de consumidores realizando a primeira compra online de janeiro a março de 2020, comparado com 17% no mesmo período do ano anterior. Segundo o site InfoMoney, o faturamento com vendas do e-commerce nacional entre 1 de maio e 24 de maio de 2020 foi de aproximadamente R$9,4 bilhões, o que representa um aumento de 126,9% em comparação com o mesmo período de 2019.

As consequência desse cenário no Brasil:

Em um país com dimensões continentais e rede de transporte insuficiente como o Brasil, a logística é uma barreira que muitas vezes impede o acesso de consumidores que moram distantes dos grandes centros urbanos, aos produtos vendidos pelo comércio eletrônico.

Neste contexto, tem sido noticiada a parceria entre empresas do varejo on-line com empresas do transporte rodoviário intermunicipal de passageiros, para o envio de encomendas com rapidez e baixo custo. A aposta é na capilaridade e na frequência do serviço. 

O transporte de encomendas por ônibus rodoviário de passageiros já ocorre há muitos anos. A carga é despachada no bagageiro, junto com as malas dos passageiros. As empresas de ônibus normalmente possuem algumas parcerias com viações que tenham interesse no transporte de encomendas em suas linhas, não sendo um serviço amplamente divulgado. No geral, estas cargas apresentam baixo valor agregado e não aumentam o risco da segurança da carga ou dos passageiros que compartilham os veículos. Mas, será que os ônibus são solução para dinamizar a distribuição dos produtos do e-commerce? 

 

Vamos aos desafios e oportunidades: 

A falta de espaço: Carga e passageiros viajam no mesmo ônibus, dessa forma, frequentemente o bagageiro está lotado com cargas pessoais, que têm prioridade. A legislação brasileira determina que o viajante tem direito de levar gratuitamente um volume máximo de 300 dm3 no bagageiro, o equivalente à três malas de tamanho grande, aproximadamente, além de cadeiras de rodas e carrinhos de bebê. Dessa forma, a empresa prestadora do serviço de transporte rodoviário pode ser levada a decidir entre carga de embarcadores e número de passageiros embarcados, para solucionar o conflito da limitação do espaço. 

A falta de tecnologia apropriada: as empresas não estão preparadas para oferecer uma logística de acordo com as necessidades do embarcador on-line. Por exemplo, não é bastante difundido o domínio de ferramentas tecnológicas que permitam a identificação e o rastreamento da carga. Até mesmo a emissão eletrônica dos bilhetes de passagem são recentes e em fase de adaptação pelo segmento de passageiros. 

A inovação para suprir as necessidades: Algumas empresas, a fim de ampliar o espaço para mercadorias e não diminuir o dos passageiros, solicitaram a implantação de bagageiros nos ônibus e alteração nos projetos das fábricas de carrocerias, com ônibus de dois eixos traseiros. Além disso, investem em tecnologias de rastreamento e controle das encomendas. 

 

No entanto, enquanto estas soluções não são amplamente implementadas pelo setor, o transporte de encomendas por ônibus não se apresenta competitivo para integrar-se à cadeia de negócios do e-commerce. Ele é “apenas” um das possibilidades.