O trânsito está bom e a economia está ruim: O que você prefere?

Desde meados de março, o trânsito parece não ser mais o mesmo. Menos carros, menos estresse, viagens mais rápidas. Estimamos que, em junho, o volume de tráfego na área central de Belo Horizonte alcançou cerca de 74% do seu potencial. Significa praticamente o mesmo volume registrado em março, mês em que teve início a pandemia e o isolamento social na segunda quinzena.

Onde estão os carros? No momento da suspensão das aulas, entre os dias 18 e 20 de março, houve redução imediata de cerca 18% dos veículos em circulação. Logo em seguida, em 20 de março, em decorrência do Decreto Municipal que limitou o funcionamento de estabelecimentos comerciais, mais cerca de 38% dos veículos deixaram de circular na região central de Belo Horizonte.

O trânsito melhorou, e muito, não é mesmo? E de lá prá cá?

Claro, é bastante sensível que aos poucos o volume de carros nas ruas foi crescendo de maneira consistente, a cada dia, a cada semana, a cada mês. Parte do crescimento refere-se à liberação mesmo que parcial das atividades comerciais. Outra parte, pode ser creditada ao crescimento das vendas do comércio on-line. E há ainda uma parcela que pode ser creditada ao comportamento da população como reação ao longo período de isolamento. Se em abril, o volume de carros nas ruas equivalia à metade do que foi registrado no mesmo mês em 2019, no mês de junho, esta relação já passava dos 80% (junho/2020 em relação a junho/2019), conforme mostra a figura abaixo.

Ao mesmo tempo, entendemos que o volume de carros nas ruas está atingindo um patamar alarmante, se considerarmos que as aulas continuam paralisadas, sem a movimentação de vans, de carros particulares e demais prestadores de serviços de transporte de crianças e jovens nas escolas. Apenas com a inclusão destes, já teríamos ultrapassado 90% do maior volume de tráfego registrado em Belo Horizonte em 2019.

Mas, os efeitos daqueles que estão em home office e dos outros tantos afastados das ruas em razão da redução da atividade econômica (fechamento de estabelecimentos comerciais e desemprego)? Estaríamos enfrentando congestionamentos sem precedentes em Belo Horizonte.

E isso não pode passar despercebido. Desta forma, com retomada das atividades econômicas, mínima que seja, o trânsito retoma o caos. Estamos perto disso.

Os gestores das cidades precisam planos para antecipar estrangulamentos e não simplesmente para resolver os existentes. O comércio eletrônico avança e coloca a infraestrutura das cidades como o centro do desafio da continuidade do seu sucesso. Custos e prazos de entrega são condicionados pelas condições oferecidas pelas cidades. E isso precisa ser resolvido!

Desde meados de março, o trânsito parece bom, não é mesmo? Muito em função basicamente da crise econômica. E isso não é nada bom!