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Adesão da população de Belo Horizonte ao isolamento social medida pelo número de carros nas ruas

Atualizado: Nov 16

A Organização Mundial da Saúde (OMS) indicou que as pessoas ficassem em casa para desacelerar o contágio e a mortalidade em razão da pandemia de COVID-19. Ações coordenadas por governantes e decisões pessoais tornam efetivas medidas que reduzam a circulação de pessoas, limitando a abertura de estabelecimentos, postergando necessidades individuais ou mesmo abdicando de determinadas atividades cotidianas, como práticas de exercícios físicos ao ar livre. Esta é ação que pretende reduzir o número e o ritmo da doença. Existem indicativos do número ideal de adesão da população ao isolamento social, o que significa que as pessoas deveriam ficar em casa nesse momento mais crítico. Para se avaliar o sucesso da campanha para que as pessoas não saíssem de casa, existem parâmetros que podem auxiliar as autoridades a gerenciarem a situação. Por exemplo, segundo os dados divulgados pelo Google, no Brasil, em média, houve redução de 71% de movimentação de pessoas nos locais de comércio e recreação no mês de março. Para Belo Horizonte, a mesma fonte, para o mesmo período, estima que a adesão teria sido de 15%, o que seria relativo ao número de pessoas que não saíram de casa. Um outro indicador que pode sugerir o nível de adesão da população ao apelo elo isolamento, o famoso #FicaEmCasa, é o número de veículos circulando pelas ruas. Fizemos um levantamento com a colaboração da BHTrans para termos visão da real situação em Belo Horizonte. A análise tem como foco o centro da capital. Pudemos constatar que ocorreu grande adesão ao chamamento para o isolamento, acompanhando ações impactantes no período 16 a 20 de março. A primeira delas pode ser identificada com o fechamento de escolas nos seus mais diversos níveis - fundamental, médio e superior. Reforçando esta ação, a Prefeitura de Belo Horizonte decretou a suspensão do funcionamento de diversos estabelecimentos. O volume de veículos nas ruas caiu ao longo da semana (16 a 20/03) a 75% da situação normal, atingindo a 38% na semana posterior.

Mas, podemos dizer que o melhor já passou!


Por razões diversas, necessidades, avaliação enganosa da situação ou encorajamento nas redes sociais, a população está voltando às ruas. A primeira semana de abril registrou um aumento de 25% no número de veículos que circularam pelo Centro da Capital. Por exemplo, no período imediato a fala do Presidente da República (24 a 26 de março), coincidência ou não, houve aumento em 12%. O crescimento persistiu na segunda semana de abril (6 a 10 de abril). Houve registro de um adicional de 9% no número de veículos circulando pelo Centro, em relação à semana anterior. A decisão pela não adesão ao isolamento continuou crescendo na semana passada (13 a 17 de abril), mesmo que uma taxa pequena, mas positiva de 0,4%.


Claro, isolamento social e incidência de novos casos de infecção por Coronavírus mantêm relação inversa. Quanto maior o nível de adesão ao isolamento, menor deve ser o ritmo de surgimento de novos casos. Além do mais, deve-se atentar para uma certa defasagem para o efeito da ação ocorrer. A imprensa noticiou que Belo Horizonte poderia ser considerada um modelo de enfrentamento comunitário da pandemia. O município atingiu seu pico de aceleração de contágios confirmados na segunda semana do isolamento e daí em diante registrou recuo dessa tendência, como hiato entre a ação (isolamento) e a reação (novos casos). A taxa de novos casos na capital mineira é praticamente três vezes menor que o registrado na capital paulista e 3,36 vezes menor que os números da cidade do Rio de Janeiro. É preciso redesenhar políticas públicas e de convencimento social para voltarmos aos patamares de isolamento social que produziram os bons resultados para Belo Horizonte e, por enquanto, livraram a capital mineira de situações caóticas experimentadas em São Paulo, Manaus, Fortaleza e Rio de Janeiro. Ao atingirmos mais de 50% de veículos nas ruas, podemos estar nos afastando perigosamente do cenário que por enquanto nos deu relativa boa condição para lidar e gerenciar esta crise.  Precisamos voltar a registrar números melhores de isolamento, que podemos dimensionar como o número de carros nas ruas.



#Quarentena #TrânsitoBH #IsolamentoSocial #Informativo


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