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  • Logistica Urbana e Mobilidade

Buser X Transporte convencional

Compreendendo o contexto do novo entrante do setor de transporte rodoviário de passageiros.



O setor de transporte rodoviário de passageiros intermunicipal e interestadual é tradicional e muito regulamentado. Ele se manteve sem alterações por um longo período de tempo, no entanto, nos últimos anos vem experimentando um período de turbulência. Um dos principais fatores é a falta de fiscalização do transporte irregular de passageiros. Assim, novos concorrentes surgem, como a Buser que utiliza plataformas de fretamento colaborativo. O Transporte Rodoviário tradicional Os serviços regulares de transporte rodoviário de passageiros são prestados pela iniciativa privada sob regime de permissão, ou seja, contrato que permite a operação de determinada linha. O Estado estabelece as condições de prestação dos serviços, com uma estrutura regulatória que impõe restrições às empresas na prestação de serviços. Dentre as condições, estão:

  • Definição do valor das tarifas

  • Frequência e frota mínima

  • Gratuidades, por exemplo, para idosos

  • Realização das rotas preestabelecidas mesmo que os ônibus estejam com poucos passageiros.

O Estado justifica a forte intervenção devido à importância destes serviços para o desenvolvimento econômico e interesse coletivo e social, em face da necessidade de deslocamento de pessoas. Uma alternativa ao convencional - Serviço de fretamento Além das linhas obtidas por licitação, há a possibilidade de serviços especiais, de caráter ocasional, denominado: fretamento eventual ou turístico. Para esses serviços não é necessário que a empresa possua contrato de permissão da linha. No entanto, para que ele seja permitido, é obrigatório o Certificado de Registro para Fretamento (CRF). Este documento deve conter: a relação de passageiros transportados e emissão de nota fiscal por viagem, com a autorização prévia da Agência Nacional de Transportes Terrestres – ANTT. O novo agente - Buser


Em 2016 surge a Buser, que se define como “uma plataforma de fretamento colaborativo que está transformando o mercado de viagens de ônibus, oferecendo uma nova alternativa de alta qualidade, segura e a preços justos”. A empresa foi criada, pois fretar um ônibus é consideravelmente mais barato que comprar as passagens da maneira tradicional pela empresa rodoviária que opera a rota. Assim, a Uber dos ônibus “é uma empresa da chamada nova economia, ou seja, atua no setor de transportes mas é 100% baseada em tecnologia.” Hoje, a empresa tem quase 2 milhões de usuários cadastrados, e transporta até 3 mil pessoas por dia.


  • Como funciona na prática:

A empresa faz a ponte entre os viajantes e as empresas de transporte, ela freta ônibus de seus parceiros e vende as passagens em sua plataforma. Esse modelo de negócio garante uma redução de preço, pois a viagem apenas ocorrerá se houver um número mínimo de passageiros para ratear o aluguel do ônibus - Quanto mais pessoas viajando menor será o valor das passagens. Por não ser um serviço de transporte rodoviário convencional, os ônibus não têm autorização para utilizar a rodoviária e a startup, diferente do ônibus tradicional, não concede gratuidades - idosos, crianças e bebês devem portar passagem. Transporte clandestino? A modalidade gera constantes polêmicas em relação à sua legalidade. A dúvida diz respeito ao enquadramento e definição de serviço de fretamento. Alguns acreditam que no fretamento o grupo de pessoas devem se conhecer, realizar a viagem com objetivo comum, ir e voltarem juntas. Como a Buser não atende a essa obrigatoriedade, o serviço prestado é questionado como transporte clandestino, ilegal. A Buser se defende alegando não ser uma empresa de ônibus, e sim uma intermediaria. Dessa forma, esses ônibus “alugados” podem ser impedidos de circular de acordo com as irregulares determinações do Estado. A balança tende a um lado A empresa está popular e agrega valor aos clientes, isso é fato. Por um lado, ela apresenta potencial de mudança, com a desburocratização e retirada de barreiras de entrada no setor, de modo a aumentar a concorrência. Por outro, compete com empresas de ônibus que adquiriram um contrato de exclusividade da linha, garantida pelo governo. Juntamente a este contrato aderiram a diversos deveres, que incluem, por exemplo, a junção de linhas menos rentáveis com aquelas que possuem maior movimento de pessoas, com o intuito de garantir acesso à população. Além disso, investem na construção de garagens de apoio, que incluem por exemplo, serviço completo de manutenção próprio. Com o seu aumento exponencial de fretamento colaborativo, é necessário pensar nas consequências da expansão do seu modelo de negócios. Todos os ônibus andariam cheios, reduzindo a frequência de ônibus, principalmente em cidades afastadas. Além disso, não haveria uma estrutura de apoio no caso de ocorrência de defeitos mecânicos e seriam extintas as gratuidades e garantias de ocorrência das viagens. Por fim, abrimos espaço para um questionamento importante, seriam todas as linhas rentáveis, ou alguns moradores de cidades de difícil acesso ficariam sem o direito de ir e vir?

#TrânsitoBH #Novembro2020 #Pandemia #Painel

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