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  • Logistica Urbana e Mobilidade

Desafios na distribuição de vacinas contra a COVID-19

A imunização da população mundial contra a COVID-19 enfrentará grandes gargalos logísticos.



Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 25% das vacinas no mundo chegam ao destino degradadas, por falhas na armazenagem ou transporte, enquanto 50% perdem a eficácia por problemas de alteração de temperatura e exagerado tempo de distribuição até os locais de vacinação.


Quando uma vacina é exposta a temperaturas fora das faixas estabelecidas, e se isto for percebido, o lote inteiro do imunizante é descartado. Uma vacina que sofreu oscilações de temperaturas dificilmente não é percebida, o que consequentemente impede que seja administrada em pacientes. Contudo, é importante notar que embora tais vacinas não promovam efeitos adversos nos indivíduos, elas podem oferecer eficácia reduzida.


TEMPERATURA DAS VACINAS CANDIDATAS CONTRA A COVID-19


Cada vacina reage de uma forma diferente a uma determinada temperatura. Por convenção, todas as vacinas são acondicionadas e distribuídas em recipientes com temperaturas entre 2º e 8ºC. No entanto, existem imunizantes que precisam ser mantidos em temperaturas de congelamento extremamente baixas que só podem ser alcançadas por refrigeradores de laboratório.


Fonte: Adaptado de https://www.wsj.com/articles/covid-19-vaccine-race-turns-deep-freezers-into-a-hot-commodity-11599217201


Várias vacinas contra o COVID-19 em teste não requerem ultracongelamento. Bons exemplos são as vacinas experimentais da Johnson & Johnson, AstraZeneca (com a Universidade de Oxford) e Sanofi-GSK, que podem ser mantidas e enviadas descongeladas.


CADEIA DE FRIO MUNDIAL


Os especialistas estimam que serão necessárias globalmente entre 12 bilhões e 15 bilhões de vacinas contra a COVID-19. Atualmente, o mundo é capaz de produzir e distribuir cerca de 6,4 bilhões de vacinas contra a gripe por ano. Em 2021, os especialistas esperam que as empresas produzam cerca de 9 bilhões de vacinas contra o COVID-19. Dessa forma, a Cadeia de Frio deve ser capaz de lidar com esse enorme aumento além das vacinas já distribuídas normalmente todos os anos.


A Cadeia de Frio requer três peças principais de infraestrutura: aviões, caminhões e armazéns frigoríficos. A forma como a infraestrutura é conectada e utilizada depende dos locais de produção da vacina e da demanda pelos imunizantes.


Depois de produzida, é provável que a vacina contra a COVID 19 seja transportada de caminhão para um aeroporto mais próximo. Como o imunizante é relativamente custoso e sensível ao tempo, provavelmente será enviada por transporte aéreo em diversos países do mundo.


Após descarregamento dos aviões, as vacinas deverão ser transportadas via terrestre por caminhão para instalações de armazenamento apropriadas até o transporte para instalações de distribuição. Finalmente, é possível que algumas das vacinas possam ser enviadas diretamente para as unidades de saúde onde serão utilizadas.


PERDAS FÍSICAS DE VACINAS AO LONGO DA CADEIA DE FRIO


As perdas anuais são estimadas em US$ 34,1 bilhões nos Estados Unidos, incluindo o custo do produto perdido, custo de reposição e custos logísticos desperdiçados. No entanto, existem outros custos difíceis de serem dimensionados como as vidas perdidas, a produtividade reduzida, as paralisações e rupturas e a perda de renda de uma imensa população que perde o emprego ou a capacidade de trabalho.


As perdas físicas ocorrem devido:


  • Quebras de frasco: acontecem por quedas ou por armazenamento ineficaz como, por exemplo, falta de organização interna do equipamento de refrigerador e falhas no acondicionamento do vacinas durante o transporte.

  • Perda por validade: pode ser ocasionada por erros na previsão da demanda que resultam em grandes quantidades de vacinas em estoque provocando o vencimento antes de sua utilização. Além disso, outra causa de perda por validade vencida pode estar associada ao não alcance das coberturas vacinais planejadas.

  • Perdas por procedimento inadequado: compreendem situações de erros na execução de procedimentos técnicos padronizados fora dos manuais de rede de frio e manual de normas de vacinação.

  • Variações de temperatura: podem ocorrer por falhas ou falta de equipamentos, pelo manuseio inadequado das vacinas na armazenagem ou no transporte ao longo da Cadeia de Frio.


Um problema difícil de ser sanado é falta de energia. A grande maioria das unidades de saúde não possuem geradores de emergência ou mecanismos à prova de queda de energia. Além disso, para caso de falta de energia devido às intempéries do clima, não existe um plano de contingência para diminuir as perdas vacinais devido à variação de temperatura.


As falhas na conservação das vacinas durante o transporte podem acarretar danos aos imunizantes. As deficiências mais comuns são: altas temperaturas durante a armazenagem ou transporte, exposição de vacina adsorvida a temperaturas de congelamento, equipamentos de refrigeração sem controle de temperatura, falhas nas leituras e nos registros da temperatura, armazenamento de medicamentos diversos, bebidas, alimentos e peças patológicas junto às vacinas. Assim, o controle da temperatura das vacinas é fator fundamental, da mesma forma o equipamento utilizado, o acondicionamento, a logística e o monitoramento ao longo do percurso.


Outro fator que deve ser levado em consideração nos trajetos percorridos é o choque mecânico ou os impactos durante o transporte, principalmente no transporte rodoviário. Os choques mecânicos ou impactos podem causar microfissuras, expondo o produto transportado a vazamentos, ou mesmo a perda completa.


SOLUÇÕES


O primeiro passo será identificar onde as vacinas serão produzidas. Se a produção for feita principalmente no exterior, as empresas precisarão usar caminhões e aviões para transporte dentro de seus próprios países e para posterior distribuição internacional. É importante notar que cada vacina pode exigir temperaturas e procedimentos de manuseio diferentes.


Há ainda o desafio de expansão da capacidade de envio e armazenamento. Os freezers típicos de restaurantes, não podem atingir temperaturas extremamente baixas, sendo, necessário equipamento especializado. A instalação de freezers capazes de atingir as baixas temperaturas exigidas pela vacina Pfizer, por exemplo, são inviáveis em muitos lugares. Assim, é essencial garantir que essas áreas possam receber um suprimento constante da vacina.


Nos Estados Unidos, a gigante de transportes UPS (United Parcel Service) está construindo instalações espaçosas para armazenamento (em Louisville, Kentucky, EUA, e Venlo, Holanda), cada uma excedendo a área de um campo de futebol, com capacidade para abrigar 600 superrefrigeradores.


Essas “fazendas de congelamento” consistem em uma infinidade de freezers em forma de cubóide de quase dois metros de altura ajustados a -80 °C e capazes de armazenar milhões de doses de vacinas contra a COVID-19 congeladas para enviá-las prontamente para todo o mundo. Felizmente, existe uma solução relativamente simples - o bom e velho gelo seco (dióxido de carbono sólido), que sublima a -78,5 °C, pode ser empregado como meio de refrigeração, evitando assim a necessidade de unidades de refrigeração a bordo.


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