Quando e Por que os Belorizontinos voltaram às ruas na crise do Coronavírus

Para minimizar os efeitos da sobrecarga de pacientes na estrutura de saúde e atendimento em razão da pandemia de COVID-19, a Organização Mundial da Saúde (OMS) indicou que as pessoas ficassem em casa para reduzir o contágio e a mortalidade pela doença. Esta é a conhecida ação para achatar a curva de mortes.

No âmago da questão, o pedido era para que as pessoas ponderassem o impacto de suas decisões pessoais sobre o coletivo, em tempos de pandemia. Em meio à falta de informação, a desinformação e o oportunismo, pedia-se que a decisão individual avaliasse, além do risco de se infectar e ficar doente, os efeitos potenciais de contaminar terceiros, grupos de risco ou não.

#FicaEmCasa soou de várias formas. No Brasil, na semana de 16 a 20 de março, governos anunciaram o fechamento de escolas, nos seus mais diversos níveis - fundamental, médio e universitário. Prefeituras, como Belo Horizonte, decretaram a suspensão do funcionamento de diversos estabelecimentos.

Segundo os dados divulgados pelo Google, entre 16 de fevereiro a 29 de março, antes da crise local e depois das orientações para que as pessoas não saíssem de casa, as pessoas atenderam governantes e a OMS. Obviamente, isso implicou queda no movimento do comércio em geral, mais sentida nos shoppings, cinemas, cafés,

restaurantes, parques, museus e bibliotecas, parques e praças, estações de transporte, como estações de metrô e trens e pontos e terminais de ônibus. No Brasil, o Google estima que a queda atingiu, em média 71% nos locais de comércio e recreação no período.

Porém, as evidências indicam que a circulação de pessoas e veículos tem aumentado. Isso antes mesmo da suspensão das orientações de que todos permanecessem em casa, pois ainda não ocorreu o momento mais perigoso da propagação da pandemia.

Os carros voltaram as ruas! E com eles, as pessoas. Será que elas ficaram mais egoístas, mais corajosas, foram encorajadas ou as urgências aumentaram?

A paralisação das atividades nas escolas é de fato impactante. São pais e prestadores de serviço que fazem a logística dos alunos. Na semana em que as escolas suspenderam as atividades, o volume de veículos nas ruas caiu 31,8% (no comparativo com o mesmo período de 2019). A queda foi gradual e contínua.

A queda do número de veículos nas ruas foi reforçada com o Decreto da Prefeitura, estabelecendo a suspensão de atividades não essenciais a partir de 20 de março. Nos primeiros dias da semana que iniciou-se em 23 de março, a queda alcançou 60% (no comparativo com o mesmo período de 2019). O menor volume de veículos foi atingido na quarta-feira, dia 25 de março. Porém, a partir do dia 26 de março, quinta-feira, o número de veículos nas ruas começou a crescer de forma consistente, dia-a-dia, tendo o volume de veículos que circularam pelo centro de Belo Horizonte crescido 20,3% em relação ao mínimo obtido (em 25/03).

Alguns fatores podem ter influenciado o retorno dos belorizontinos às ruas. Por exemplo, o presidente Bolsonaro discursou na noite da terça-feira (24 de março), conclamando a "volta à normalidade", com o fim do "confinamento em massa". A fala do Presidente parece ter impacto já no dia 26 de março, na quinta-feira, encorajando as pessoas a retomarem as atividades econômicas ou minimizarem a gravidade da situação. Deixaram o altruísmo de lado e buscaram o benefício individual, as vezes de forma oportunística.

A baixa qualidade do transporte coletivo parece ser reforçado à tomada de decisão na direção do individualismo. À medida que as pessoas aumentaram a necessidade de deslocamentos, seja pelo retorno às atividades de alguns negócios, seja para o acesso à ajuda emergencial do governo federal, seja para colocar em dia necessidades pessoais. Com menos veículos de transporte público circulando, com menor nível de serviço, por exemplo, mais cheios ou menos frequentes, as pessoas podem estar optando pelo transporte pessoal ou compartilhado.

Enfim, a volta do congestionamento em São Paulo foi registrada no dia 08 de abril, quarta- feira, 15 dias após a orientação pelo isolamento social, mesmo em meio à pandemia do coronavírus e a quarentena em vigor.
 

Em Belo Horizonte, a Prefeitura endureceu as regras para abertura do comércio. Teremos a volta dos congestionamentos ou os números de veículos nas ruas vão recuar novamente?

Figura 1- Comparativo do volume de veículos - Período de Isolamento do Covid 19 - Belo Horizonte